Posso contar uma história para você ?

Vivemos em um mundo maluco, cada dia que passa a gente se depara com cada coisa que nos faz pensar: Isso é serio mesmo? 

Você me conhece? Deixa eu falar um pouco sobre o Rafa:

Vou ser breve.

Sou o caçula, meu pai é o Dony e minha mãe é a Tia Sônia, meu irmão é o Fabinho. Foi criado no Parigot de Souza I, ZONA NORTE de Londrina, um bairro simples, nasci lá na quebrada e fiquei até os meus 18 anos.

UMA PAUSA PARA O PLAY. O Tiago falou que essa musica é minha cara, me identifico com algumas partes hahaha. 

Aos 20 anos casei com a Beca. Em 2007 deixei o Braza e fui tentar a vida lá na terra do Trump maluquete. Fiquei lá até 2012, foi um tempo muito, MUITOOOO bom.

Quando eu morava na quebrada da ZN ( não era tão ruim ), tive contato com muitas coisa, boas e ruins, perdi amigos para as drogas, perdi amigos para o crime, mas alguns se deram bem na vida, fico feliz quando eu encontro essa galera bem.

Aguenta ae que já vai fazer sentido.

Quando a fotografia me encontrou e eu aceitei ela em minha vida, hahaha é foi tipo assim. Eu sempre tive o desejo de fotografar documentário ou histórias, foi ae que me envolvi com casamento e retratos.

Ano passado estava dando um WS em Vitoria do Espirito Santo, comentei com uma amiga que estava participando algo do tipo:

Meu sonho é fotografar na favela.

Andressa: Onde?

Eu: Rio.

Andressa: Tenho um contato no Morro do Borel

Eu: Me coloca lá dentro.

Messes se passaram quando eu recebe um whats: 

Dae Rafão, vamo pro morro?

Eu: Quando?

Andressa: Março.

Eu: Comprei a passagem.

Chegou o dia, pousei no rio e ali estava Andressa e um maluco do morro, o cara nem olhou pra mim, foi tenso. Eu não sabia pra onde eu estava indo, a Andressa só tinha me falado que ficaria em um lugar seguro. 

No caminho eu conquistei o maluco carioca hahahaa, virou meu parça, esse maluco se chama Magno, depois eu falo desse loko.

Caraca a hora que chegou no pé do morro eu fiquei em choque, mas ae o carro começou a subir, hummmmmmm ( não posso dar detalhes das coisa que vi, mas posso dizer que vc não vê na TV, nem em filme ). Depois de uns minutos chegamos quase no top da parada, chegamos onde eu ficaria por 3 dias. Local simples mas cheio de amor.

Eu não sabia que ficaria em uma base da JOCUM ( Jovens com uma missão ), se vc ainda não conhece o trabalho deles no morro, caraca entra no site e veja o que essa galera está fazendo lá.

Já era 00:30 quando chegamos, confesso que fiquei assustado.

O Magno olhou pra mim e falou:

Rafa, fica tranquilo que aqui é sua casa, todos já sabem que vc está aqui.

 

Ufaaaaa, me deu uma paz em partes.

Durante a noite rolou umas paradas por lá, coisa rotineiras de um morro, para a galera que não está acostumada da medo, ao ponto de ficar deitado o tempo todo colado na parede hahahah.

Logo que amanheceu eu corri para abrir a porta e ver onde eu estava, caracaaaaaaaa ae fiquei olhando para todos os lados, o barulho, o cheiro, pessoas, tudo era novo.

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Magno chegou e me apresentou a sua esposa e filhos, tb conheci a galera todas que são voluntários e que estão lutando pelo Morro do Borel, caraca, nesse momento rolou muitas coisas dentro de mim, como:

Reclamo da minha vida, tenho tudo, tenho coisas que nem preciso, ETC...

Magno

Magno

 

Chegou a hora de ir fotografar as gestantes, isso mesmo, fui para o Borel para fotografar algumas gestantes. 

O Magneto tinha me falado que eles tem um programa para ajudar as meninas que estão gravidas.

Demorooooo, eu e a Andressa começamos a andar pelo morro na companhia do Magneto e de outros.

Caminhamos por becos, vielas, esgoto, batemos em portas de barracos, foi loco.

 

Encontramos algumas meninas que toparam ser fotografadas.

No momento de cada foto eu ficava refletindo sobre minha vida, cada palavra trocada com as meninas eu via o quanto eu precisava mudar. 

Foram 8 ou 10 meninas que fotografamos, apenas uma era maior de idade.

A única vez que mostrei esse trabalho foi no na minha palestra no Wedding Brasil que rolou em Abril.

Eu retornei em Maio, fizemos uma pequena exposição para as meninas, tb fotografei elas com os filhos.

IMG_4395.jpg

Quando eu retornei para o Borel eu levei o Ainho comigo, e ele fez um mini documentário:

http://www.ainhoalves.com/single-post/2016/11/02/Morro-do-Borel---Rio-de-Janeiro

http://www.ainhoalves.com/single-post/2016/11/02/William-10---Morro-do-Borel---RJ

http://www.ainhoalves.com/single-post/2016/08/23/Futebol-Morro-do-Borel---Rio-de-Janeiro

 

A JOCUM Morro do Borel está precisando de vc, estou colocando esse link para vc, veja se tem algo que vc possa ajudar.

http://www.jocumborel.org.br/seja-nosso-parceiro/

 

Lembra que no começo eu falei que cresci na quebrada? Então, eu me identifico com eles, pois cresci em uma realidade que não é 1% da deles, mas vi coisas e vivi experiências tensas.

Eu não estou aqui falando que vc tem que ir para a favela ou para a Africa para fazer o bem para alguém, tb não estou falando que vc tem que passar por isso para mudar a sua vida. O que eu quero deixar aqui com esse trabalho é simplesmente:

Eles precisam da gente, o que vc puder fazer por eles é bem vindo.

Esse é um slide que o Fernando Candido ( se vc vai se casar, pode contratar esse cara ) fez com minhas fotos:

 

Obrigado por passar por aqui, vamos fazer desse mundo um mundo melhor, não importa como vc vc vai fazer............ então:

SÓ VAI

 

 

 

 

 

rafael fontana

Rafael Fontana fotografia , 2335 Avenida Gil de Abreu e Souza, Royal Park Residence & Resort, PR, 86058